Blessed be!Welcome to "Bewitched"!!!

Sobre Mim
Nome:Marcia
Psicóloga
Wiccana
Detesto falsidade!

Link-me

Passado
[Arquivos]

Blogs Amigos
Renata(Bruxinha Emo)
ANNEKRIS!
ZENZONE
Etiene
MENSAGENS PARA VOCÊ
LUANA
APRENDIZ DA VIDA
O QUE PENSO
WITCH BRANWEN
FADA KAMIKAZE
BRUXINHA DA MEIA LUA PT
LGM
MAGIA E SEDUÇÃO 2
Blog da Stela
OLHOS NEGROS
Caderno da Poetisa
My Girl
FADAS E FADAS
LUA SUICIDA
CASA MÍSTICA
ALTA MAGIA

Links

Bruxinha da Lua
Aisha

Stregaria

http://wiviane.blogger.com.br

Meu Award


Música
Visitas
Link-me 2

Créditos
Hosted at Blogger

¤ Layout feito por Mim

| Comments:

[Domingo, Janeiro 28, 2007]


Uma Reflexão ao Repúdio a Auto-Iniciação

Por Mavesper Cy Ceridwen



Como já tive oportunidade de mencionar, a auto-iniciação é um mal necessário. Logicamente seria o ideal que todas as pessoas que buscam ingressar na bruxaria encontrassem um número grande de covens, com vagas suficientes a treinar e absorver todos os interessados. Mas isso está muito longe de ser real, nossa situação concreta é de milhares e milhares de interessados em praticar wicca e quase nenhum coven pronto a orientar, com pouquíssimas vagas disponíveis.

A auto-iniciação é um conceito surgido para atender essa realidade, mas será mesmo tão sem fundamento quanto querem fazer crer as pessoas que hoje perseguem auto-iniciados e fomentam preconceito contra eles? Obviamente não.

A auto-iniciação é algo que sempre existiu na bruxaria tradicional sendo fruto do fato que temos uma religião de mistérios sim, mas passíveis de revelação e experimentação diretamente da própria Divindade. Muitas tradições de witchcraft britânicas ainda hoje se fundam em revelações, e costumes são modificados por conta de reinterpretações das práticas antigas. E isso deve mesmo ser assim, porque as religiões de mistérios são sujeitas a enriquecimento pela diversa experiência do sagrado que vivem seus membros, e essa experiência muda com o tempo e as circunstâncias. A bruxaria é uma religião viva, não é estagnada, nem engessada em uma forma única.

Lembrem-se: é fato que na bruxaria a pessoa é ela mesma diretamente ligada a Deusa e seu Consorte. Não existe na bruxaria a figura do intermediário que detém o monopólio do contato com o sagrado, como existe nas religiões patrifocais onde, por exemplo, padres, rabinos ou shakes são os únicos que detém poderes especiais de contato com o divino. Uma bruxa é sacerdotisa de si mesma e, como tal, dispensa qualquer intermediário entre si e os Deuses Antigos.

Justamente por isso é que acho perniciosa e anti-pagã a postura que, ao atacar a validade da auto-iniciação, afirma que o indivíduo pode praticar magia natural, seguir os ditames da wicca, mas ser somente pagão, e não pensar em iniciação. E essa mentalidade vem ganhando corpo entre os novatos, seduzidos por argumentos falsos de fundamentalistas que eu hoje chamo de "xiitas pagãos".

Os xiitas pagãos estão espalhando argumentos de que deve existir uma casta de privilegiados - os "verdadeiros wiccanianos" - que são iniciados em covens de tradições específicas e detém o monopólio do sagrado. Estes seriam os verdadeiros sacerdotes e sacerdotisas pagãos, devendo ser em relação aos demais simples pagãos condutores de um "rebanho", oficiando hanfastings e outros ritos, celebrando no lugar dos "primos pobres", coitadinhos destituídos de covens. Estes devem se resignar a não ter sido "escolhidos pelos deuses" para participar dessas tradições detentoras da única verdade.

Se vc acreditou nessas bobagens todas, lamento muito. Vc está sendo escandalosamente roubado de muitas coisas que significam a própria essência do que é ser bruxa ou bruxo: liberdade, orgulho, independência, relação direta com os Deuses.

Se vc é alguém que pratica a bruxaria, conhece bem seus métodos e já vivenciou por um bom tempo o modo de viver de uma bruxa, ninguém neste mundo ou nos outros planos de realidade pode impedir que vc faça um pacto de sacerdócio com os Antigos Deuses. Lembre-se: vc foi chamado um dia, vc tem o direito inalienável de responder e viver como um sacerdote ou sacerdotisa. Não deixe que pessoas preconceituosas empanem o brilho de sua escolha.

É muito óbvio para qualquer um que observe o proceder dessas pessoas qual a verdadeira motivação de seu verdadeiro ódio e campanhas contra o instituto da auto-iniciação: eles precisam se sentir superiores, especiais, diferentes, "escolhidos". Infelizmente para eles, como demonstram a legião de auto-iniciados que há pelo mundo, a Deusa não concorda com esse pretenso monopólio e espalha seus conhecimentos e sua compreensão através da bruxaria generosamente. A Deusa - pasmem os detentores da "única bruxaria" - se revela a muita gente que nunca passou perto de um coven tradicional. Basta ter olhos para ver, basta não querer utilizar vendas...

O que ocorre é que este tipo de postura vem explorando os argumentos de que há na bruxaria mistérios que só os iniciados nesta ou naquela tradição podem acessar. Na verdade em todas as tradições há um só mistério: a Deusa,seu Consorte e seus caminhos que devem ser buscados no interior de cada alma e cada coração. É muita pretensão, é reduzir demais o que sejam os Deuses acreditar que eles se enquadram somente nos ditames estreitos de um Livro das Sombras. Isso é negar a própria essência da Wicca, construída até mesmo por Gardner com textos inspirados, canalizados por Doreen Valiente e outras pessoas. Assim, na hora dessa canalização de conhecimentos diretamente da Divindade ser usada na construção do próprio Livro das Sombras de Gardner ela existe e é válida. Na hora de o mesmíssimo processo ser fonte da auto-iniciação de alguém é falso e inconsistente! Sem dúvida é de uma parcialidade ridícula tal pretensão.

Os argumentos dos xiitas parecem ser muito consistentes, especialmente porque as pessoas não compreendem como um auto-iniciado aprende as coisas necessárias a chegar a uma iniciação. Mas confundir dificuldade de adquirir conhecimento com impossibilidade disso acontecer é algo bem errado.

Auto-iniciados aprendem os Mistérios diretamente da Divindade, pois aprenderam a ouvir sua voz e se abriram a receber esses conhecimentos. Isso não é fácil e está sujeito a muitos erros, mas não é impossível, realmente acontece.

Sou, assim como muitos outros wiccanianos auto-iniciados que depois ingressaram em tradições, testemunha disso. Aprendi diretamente da Deusa e do Deus diversas práticas que depois soube serem de bruxaria tradicional. Conversem com auto-iniciados sérios, todos eles narrarão este tipo de experiência a vcs. Assim, se pergunta: se fosse impossível ter acesso a esses conhecimentos e práticas diretamente da Divindade, como nós aprendemos isso? Inventamos? Não, porque são práticas que existem... e aí? Bem, como dizem, CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS.

Notem aqui que esta crítica não se refere genericamente a todos que defendem a necessidade de uma iniciação tradicional. Só me refiro aos xiitas que espumam raivosos e abundam na internet brasileira atualmente. Há membros de tradições rígidas que realmente não crêem na validade da auto-iniciação, mas não são virulentos, nem discriminadores de auto-iniciados, reconhecendo o sacerdócio de alguém pelo modo como ele vive e não por títulos e linhagens apenas. Esses tradicionalistas não merecem críticas, cada um pode crer no que desejar. Somente faço este artigo para alertar vcs contra os xiitas em si.

Mais uma observação que se faz necessária: não me refiro, obviamente, a auto-iniciados por rituazinhos de revistas, nem a pessoas que fazem um ritual vazio e crêem que se iniciaram. Falo de auto-iniciados sérios, pessoas que se entregaram a Deusa há anos e praticam bruxaria a seu modo, como seu contato com a Deusa e o Deus e seus estudos os levaram a realizar.

Um apelo a vcs: não se deixem enganar. A auto-iniciação nada tem a ver com interesses comerciais de autores pagãos, nem com poder sobre ninguém. Muito pelo contrário: ela existe para evitar que o monopólio do sagrado seja controlado e comercializado pelos que se arvoram em detentores da verdade única.

Se eu quisesse uma religião de "verdade únicas" estaria agora preocupada com o resultado do Conclave papal, e não seria uma bruxa.

Não se deixem roubar em sua dignidade e seu direito ao efetivo sacerdócio dos Antigos, seja vc iniciado em uma Tradição ou auto-iniciado sua entrega merece todo o respeito.

Bênçãos Brilhantes da Única Iniciadora de Todos Nós!
Blessed Be :)


Mavesper Cy Ceridwen


Por às [6:56 PM]


| Comments: | Comments:

[Sábado, Janeiro 20, 2007]


O SACERDÓCIO WICCANIANO:

Por Mavesper Cy Ceridwen

Uma eterna polêmica entre os wiccanianos, seja no Brasil, seja em outras partes do mundo, é a velhíssima discussão sobre a validade ou não da auto-iniciação. Bons argumentos sobram tanto entre os defensores, como entre os críticos. A vivência na Wicca nos mostra que, muitas vezes, se encontra entre iniciados tradicionais pessoas que não se dedicam à Arte tanto quanto auto-iniciados, e entre auto-iniciados gente que só por muita ilusão se crê praticante da bruxaria.

Creio, pois, que é hora de dar um passo a mais nessa discussão. A importância de iniciação tradicional é inegável, mas não há como fechar os olhos à realidade que, muito frequentemente, a auto-iniciação leva ao exercício de um sacerdócio impecável dos Deuses Antigos. O que é mais importante, então?

A resposta é justamente essa: o importante é o exercício do Sacerdócio Wiccaniano. Se se chega a ele pela iniciação tradicional, participando de um coven, ok. Se se chega a ele pelo árduo e dificil caminho de buscar as resposta diretamente da Deusa, pela auto-iniciação, ok também.

E o que e´ o Sacerdócio Wiccaniano?

Todos nós sabemos que só pertence realmente à Wicca quem se inicia ( seja em uma Tradição, seja pela auto-iniciação), ou seja, temos uma religião iniciática em que não há seguidores - todo wiccaniano é Sacerdote ou Sacerdotisa da Deusa Triplice e seu Consorte.

Esse é um dos mais importantes diferenciais da Wicca em relação a caminhos mágicos não religiosos. O sacerdócio obrigatório implica que seja necessário à pessoa buscar em si, antes de pensar em trilhar este caminho, a veracidade de sua vocação sacerdotal. Costumo dizer que, na prática, nenhuma diferença vejo na vocação sacerdotal de um Wiccaniano da vocação sacerdotal para qualquer outra religião. Embora o modo de exercer nosso Sacerdócio da Terra não implique renúncias a prazeres, celibatos ou votos de pobreza ou abstinência, temos em comum com sacerdotes de outras religiões o seguinte: nossa alma anseia pelo contato íntimo e direto com a Divindade Criadora e nos oferecemos, voluntariamente, para realizar, em concreto, esse contato no mundo, em nossas vidas diárias.

Muitos livros tratam do período de preparação para a iniciação, muitos enfatizam o que deve um neófito aprender e conhecer no período de um ano e um dia mínimo para nela chegar. O que se deixa de comentar é o seguinte: o que faz uma bruxa DEPOIS da iniciação? Como é o exercício do Sacerdócio Wiccaniano?

Para responder essa pergunta, devemos compreender uma face da Deusa que é Aquela que Dá Poderes. Essa face da Deusa significa a Deusa agindo diretamente no mundo. Seja como a Curadora, seja como Consoladora, seja como Sábia, essa face da Deusa é muito conhecida das pessoas não tanto em tese, mas nas vivências diárias. É Ela quem nos concede nossos dons e quem, quando estamos em estreita comunhão com o Elemento Espírito, acende em nós a chama de partilhar esses dons. Creio que todos, mesmo os leigos, podem entender o que digo: quando você ouve uma bela música, quando lê um lindo poema ou vê um por do sol de intensa beleza, acende-se em seu coração um desejo de partilhar- você passa a querer dividir com os outros a beleza que descobriu.

Assim é o caminho Wiccaniano, essa mesma é a essência do sacerdócio: levar para a vida de outras pessoas a beleza que você descobriu ao perceber que a Vida é mágica, que Tudo é sagrado, que Ela é a Vida em si. A consciência de que tudo que existe em sua vida é sua responsabilidade e pode ser moldado por sua vontade. Descobrir que todas as respostas que você procura estão dentro de você mesmo. Obviamente isso não se faz por meio de pregações religiosas, nem por proselitismo. Isso se faz vivendo o dia a dia normal que todo Sacerdote ou Sacerdotisa Wiccaniano tem. Exercer o sacerdócio da Deusa Tríplice é levar encanto e magia a todos, e tornar as pessoas mais despertas , mais conscientes e mais livres, independentemente de que religião elas mesmas professem.

Ser um Sacerdote ou Sacerdotisa dos Antigos significa viver em alegria, celebrar a natureza e realizar seus dons no mundo. Seja nas pequenas coisas, como abençoar a pessoa que serviu a você um café no escritório ou nas coisas mais complexas, como engajar-se em movimentos ambientalistas, seja no usar seus dons para curar alguém ou um animal ferido, seja celebrando rituais públicos ou particulares, seja dando entrevistas na TV ou respondendo a um estranho sobre sua religião - tudo isso são formas possíveis de realização do caminho sacerdotal. Talvez você não deseje ser um@ curador@, ou talvez nunca sinta o impulso de ensinar ou falar sobre a Arte, mas se você descobrir o que a Deusa espera de você e realizá-lo, exercendo seus dons, você será um@ verdadeir@ Sacerdotisa ou Sacerdote Wiccanian@.

Um cuidado muito grande que se deve ter é com a ilusão de estar seguindo um caminho sacerdotal. Ouço muita gente dizer: "Eu vivo consciente da natureza, vejo a Deusa em tudo, e isso basta para me fazer wiccaniana." Tolice: um caminho sacerdotal não é um fingimento, uma fantasia, tampouco é simples como "ver a Deusa em tudo". Implica estudo, dedicação e vivência. Implica auto-conhecimento e auto -transformação.

Como vai seu Sacerdócio? Como você tem utilizado no mundo os Poderes Dela? Muito mais do que se preocupar com a forma da iniciação, esta deve ser a preocupação de todos nós wiccanianos: a qualidade do exercício do Sacerdócio.

Aos novatos deixo a pergunta: você tem real vocação sacerdotal? Como crê irá exercer o sacerdócio da Deusa e Seu Consorte em concreto na sua vida?

Somente Aquela Que Dá Poderes nos transforma em reais Sacerdotisas e Sacerdotes, fazendo com que nossa prática da Wicca deixe de ser algo formal e livresco, concretizando de maneira ativa os preceitos de nossa religião em nossas vidas, trazendo a magia a atuar no mundo.

Bençãos Brilhantes!

Mavesper Cy Ceridwen

retirado do site:www.templodadeusa.com.br

Por às [12:04 AM]


| Comments: | Comments:

[Sexta-feira, Janeiro 12, 2007]


Budismo:a iniciação
Apesar de geralmente ser traduzida como iniciação, a palavra abhisheka em sânscrito e o seu equivalente tibetano, wang kur (tib. dbang bskur) significam ordenação, transmissão de poder. Em sânscrito, também é usada para se referir a consagração, coroação, entronização e aspersão de água. Nos últimos anos, muitos autores têm traduzido estas palavras para o inglês como empowerment ao invés da já costumeira initiation.

Seja como for, as iniciações são cerimônias em que o mestre-vajra (tib. vajracharya, tib. dorje lopön / rdo rje slob spon) autoriza seus alunos a ouvir, estudar e praticar os ensinamentos do buddhismo Vajrayana. Assim como uma cerimônia de casamento representa a união de duas pessoas, uma cerimônia de iniciação é a união das bênçãos de um mestre (sânsc. guru) realizado como a devoção e receptividade de um discípulo (sânsc. chela, adhikarin). Portanto, receber a iniciação de um professor qualificado é essencial para a prática do buddhismo Vajrayana. Diz-se que, se o discípulo considerar o mestre como uma pessoa comum, ele receberá as bênçãos de uma pessoa comum; se vê-lo como um amigo, receberá as bênçãos de um amigo; mas se vê-lo como um buddha, receberá as bênçãos de um buddha.

O objetivo da cerimônia é o de amadurecer o praticante, revelar o seu próprio estado búddhico (sânsc. tathagatagarbha, sugatagarbha) e plantar a semente para a iluminação. Após recebê-la, o praticante deve cultivar este semente através da prática cotidiana. Durante a iniciação, o praticante assume externamente o voto de liberação individual (sânsc. pratimoksha), a renúncia ao samsara. Internamente, ele gera a mente da iluminação (sânsc. bodhichitta) e assume o voto de bodhisattva ¿ a aspiração de levar todos os seres à liberação. Secretamente, ele assume o compromisso (sânsc. samaya) de manter a prática Vajrayana.

Muitas vezes, a iniciação tântrica é um rito complexo, envolvendo visualizações detalhadas, preces e súplicas, implementos rituais especiais e substâncias. O objetivo é estabelecer o iniciado na disposição adequada da mente, forjar um elo kármico com o lama e com a divindade meditacional, purificar negatividades, dar a permissão para praticar um tantra específico e dar a instrução de como isso deve ser feito.

(John Powers, Introduction to Tibetan Buddhism)

Receber uma iniciação é como plantar uma semente. Com as condições corretas, posteriormente esta semente irá florescer e crescer na iluminação. Durante a iniciação, cada um das três portas [corpo, fala e mente] é abençoada individualmente; assim, há uma iniciação do corpo, uma iniciação da fala e uma iniciação da mente. Deste modo, as máculas de cada uma das três portas são purificadas e você é autorizado a se visualizar na forma da divindade, a recitar o mantra da divindade e a meditar sobre a mente da divindade.

(Ngawang Phuntsok, On Receiving Wang)

O equivalente sânscrito de "iniciação" é abhisheka, que significa "espargir", "verter", "unção". E para se verter é preciso que haja um vaso onde passa cair o líquido vertido. Se nos comprometemos realmente, abrindo-nos para nosso amigo espiritual de maneira apropriada e completa, transformando-nos num vaso que possa receber a comunicação, ele também se abrirá, e então a iniciação ocorre. Este é o significado do abhisheka, ou "o encontro das duas mentes", a do mestre e a do discípulo.

(Chögyam Trungpa Rinpoche, Além do Materialismo Espiritual)

Para praticar as visualizações e se engajar na sadhana, ou prática do tantra, é necessário receber a autorização adequada ou abhisheka. Segundo Jamgön Kongtrül, o Grande, a palavra abhisheka deriva de duas fontes diferentes. A primeira é abhikensa, que significa "aspersão". Faz parte de cada autorização individual que recebemos e simboliza a purificação das impurezas. A outra palavra é abhikenta, que significa "pôr alguma coisa em um recipiente". Segundo Jamgön Kongtrül, isso significa que quando a mente se livrar das impurezas, as qualidades de sabedoria poderão ser colocadas nela. Assim, a conotação real de abhisheka é autorização. Essa autorização é que dá eficácia à nossa prática.

(Traleg Kyabgon Rinpoche, The Essence of Buddhism)

Uma cerimônia típica é dividida em quatro iniciações (tib. wang shi / dbang bzhi):

iniciação do vaso (sânsc. kala-abhisheka, tib. bum wang / bum dbang): purifica as negatividades do corpo, autoriza a praticar as meditações do estágio de geração e cria causas para obter o corpo vajra e o corpo de emanação (sânsc. nirmanakaya);
iniciação secreta (sânsc. guhya-abhishaka, tib. sang wang / gsang dbang): purifica as negatividades da fala, autoriza a praticar as meditações sobre os canais e energias sutis, a recitar mantras, e cria causas para obter a fala vajra e o corpo de êxtase completo (sânsc. sambhogakaya);
iniciação da sabedoria (sânsc. prajna-abhishaka, tib. sherabkyi wang / shes rab kyi dbang): purifica as negatividades da mente, autoriza a praticar as meditações do estágio de perfeição e cria causas para obter a mente vajra e o corpo do Dharma (sânsc. dharmakaya);
iniciação da palavra preciosa (sânsc. chatura-abhisheka, tib. tsig wang rinpoche / tshig dbang rin po che): purifica simultaneamente as negatividades do corpo, da fala e da mente, autoriza a praticar as meditações do estágio da grande perfeição e cria causas para obter a sabedoria vajra e o corpo da essência (sânsc. svabhavikakaya).
Conceder e receber uma iniciação é muito importante, então [também] é muito importante manter a atitude adequada. Algumas pessoas parecer ir às iniciações como se simplesmente estivessem fazendo uma coleção, dizendo orgulhosamente aos seus amigos sobre suas últimas aquisições. Esta atitude é como jogar todos os preceitos e iniciações no lixo. É apenas uma perda.

(Citado por Gyatrul Rinpoche em Naked Awareness)

Na tradição Vajrayana, precisamos primeiro receber a iniciação para amadurecer a mente e criar receptividade aos ensinamentos e à prática. Sem iniciação, não estamos autorizados a ouvir os ensinamentos nem a praticar, pois nossos esforços não seriam mais frutíferos do que moer areia para obter óleo.

Recebemos a iniciação básica de um lama que detenha a linhagem da prática. Ela não pode ser dada unicamente através de palavras e substâncias, pois da mesma forma que apenas um rei possui o poder necessário para entronizar um sucessor, apenas um lama que detenha a linhagem e tenha consumado a prática pode iniciar uma outra pessoa. Através da força da meditação, recitação de mantras e do uso simbólico de substâncias, somos iniciados tanto nas práticas do estágio do desenvolvimento e da consumação, quanto no reconhecimento do corpo, fala e mente da divindade, bem como da nossa natureza absoluta.

(Chagdud Tulku Rinpoche, Portões da Prática Budista)

A primeira qualificação [para se receber uma iniciação] é a da bodhichitta, a aspiração altruísta à mais elevada iluminação e que estima mais os outros do que a si mesma. Aqui é dito que o melhor discípulo permanece em uma experiência genuína desta mente sublime; o discípulo mediano teve um pequeno lampejo dela em suas meditações; o inferior deve ter pelo menos uma apreciação por ela e ter interesse em desenvolvê-la.

A segunda qualificação é dada em termos de sabedoria ou treinamento no insight especial, a experiência da vacuidade. Aqui é dito que o melhor discípulo tem uma experiência não-distorcida da natureza da realidade última, conforme explicada nas escolas Madhyamika ou Yogachara do pensamento Mahayana; o discípulo mediano tem um entendimento correto baseado no estudo e na razão em geral; e o discípulo inferior deve pelo menos ter uma forte apreciação e interesse em aprender as visões filosóficas da vacuidade em uma destas escolas mencionadas acima. [...]

[A terceira qualificação para se receber a iniciação em uma tradição tântrica é] ter um sentimento e um interesse por esta tradição tântrica específica. O propósito da iniciação é plantar sementes kármicas especiais na mente daquele que a recebe; mas se ele ou ela não possuir a abertura nascida de um grau básico de interesse espiritual, será muito difícil que estas sementes tenham algum impacto.

(Dalai Lama, Concerning the Kalachakra Initiation)

Um exemplo de iniciação
Na maioria de todas as tradições tântricas do buddhismo tibetano, uma iniciação é dada apenas a um número de pessoas relativamente pequeno. A iniciação de Kalachakra é a única exceção entre os sistemas meditacionais superiores (sânsc. Anuttara Yoga Tantra) e é concedida abertamente ao público, sem pré-requisitos ou práticas preliminares. A cerimônia completa dura geralmente 12 dias.

Primeiro, há 8 dias de cerimônias preparatórias, durante os quais os monges constróem a mandala de Kalachakra com areia. Na iniciação, o mestre concede aos alunos a permissão para que pratiquem as yogas, ou meditações do Kalachakra Tantra. O mestre realiza o seu voto de transmitir os ensinamentos da linhagem de Kalachakra para trazer benefício a todos os seres; e os alunos fazem o voto de respeitar e manter estes ensinamentos. O compromisso dos alunos pode variar: muitos participam da iniciação apenar para receber as bênçãos, e alguns se comprometem a praticar as meditações diariamente, o que poderá levar a maiores resultados.

No primeiro dia, um representante dos estudantes pede ao mestre para dar a iniciação, e ele consente, mostrando sua compaixão pelos alunos. O mestre pede então a permissão dos espíritos locais para que ele possam utilizar a sua morada. Geralmente, alguns espíritos não cooperam... então os monges realizam a dança da terra, fazendo gestos simbólicos com as mãos e pés. As preces, músicas e danças pacificam todos os espíritos que poderiam interferir.

Após as danças, o mestre recebe a permissão para prosseguir com a cerimônia do Tenma, para todos os espíritos locais. A mandala, que simbolicamente abriga 722 divindades, é protegida por punhais (sânsc. kila, tib. phur ba / purba) simbólicos.

Todos os objetos usados durante a cerimônia, inclusive aqueles usados para construir a mandala, são abençoados pelo mestre. Para começar a construir a mandala, desenha-se o rascunho com cordas cerimoniais, banhadas com giz líquido de cor branca. Sobre a base da mandala, o mestre segura uma ponta da corda, enquanto um monge assistente segura a outra ponta. O mestre então puxa a corda para cima e solta, fazendo com que a batida marque um traço de giz sobre a base da mandala. Cada estalada da corda soa como uma bênção do Buddha para a construção da mandala. Todo o processo de marcação das linhas-guia demora dois dias.

No terceiro dia, o mestre joga gotas de água com açafrão sobre a plataforma da mandala, apagando algumas linhas e abrindo caminho para as 722 divindades entrarem. As almofadas das divindades são simbolicamente representadas por grãos de trigo, que são colocados na mandala. Fazendo três linhas paralelas, o mestre então coloca os primeiros grãos de areia, de cor branca, vermelha e preta, representando respectivamente o corpo, a fala e a mente de Buddha. Os monges continuam a colocar os grãos de areia e completam a mandala, que ao final terá mais de 2 metros de diâmetro. Apenas para aprender as centenas de símbolos da mandala e como desenhá-las, os monges precisam de 2 anos de intenso estudo.

Quando a mandala é completada, vasos sagrados são colocados ao seu redor e ela é cercada por cortinas, para que não seja vista antes do momento apropriado. O mestre agradece à cooperação dos espíritos e divindades com oferendas, e os monges tocam músicas sagradas com sinos, gongos, tambores e trombetas, além de dançarem por uma hora e meia.

No nono dia, após as preces e meditações do mestre e dos monges, os alunos chegam pela primeira vez. Aqueles que querem ser iniciados fazem o voto de ter compaixão por todos os seres sencientes, de trabalhar pelo benefício de todos eles, e de nunca revelar os segredos da mandala. São dadas duas folhas de grama kusha a cada aluno ¿ o mesmo tipo de grama sobre o qual o Buddha se sentou ao alcançar a iluminação, sob a árvore de Bodhi. Essas folhas serão guardadas posteriormente sob os colchões e travesseiros dos alunos, para ajudá-los a lembrar e estudar os seus sonhos. São dadas também as cordas de proteção, que são amarradas em um dos antebraços.

No décimo dia, após algumas cerimônias preliminares, começa a iniciação. Os alunos colocam na testa uma venda vermelha, simbolizando a ignorância, a imaturidade espiritual. Depois dos alunos fazerem os votos de bom comportamento, o mestre pede à divindade Kalachakra para que abra os olhos deles. Os alunos então retiram as vendas, destruindo as trevas da ignorância e se tornando aptos a "ver" a mandala de Kalachakra.

Então, o mestre confere as sete iniciações do "entrar como uma criança", para que os alunos "renasçam" como seres ideais e entrem no mundo perfeito da mandala. Cada iniciação corresponde a um evento significativo na vida de uma criança: receber um nome, tomar o primeiro banho, o primeiro corte de cabelo, o primeiro contato dos cinco sentidos, furar as orelhas para colocar brincos, dizer a primeira palavra, e aprender a ler.

Após o "renascimento", os alunos entram no mundo ideal de Kalachakra, a Roda do Tempo ¿ um universo iluminado, governado pela divindade Kalachakra. Os alunos podem então ver a mandala de areia, a morada de 722 divindades. Cada um dos quatro rostos da divindade olha para uma direção, e são representados simbolicamente na mandala pelos quatro quadrantes coloridos: preto ou azul no oeste (abaixo); vermelho no sul (esquerda); amarelo ou laranja no oeste (acima); e branco no norte (direita).

A mandala é plana, mas representa várias plataformas quadradas de um palácio tridimensional. Com o mestre servindo de guia no caminho para iluminação, os iniciados "entram" no palácio pelo portão do leste, chegando à mandala do corpo iluminado. A próxima entrada leva ao segundo andar, a mandala da fala iluminada, e assim sucessivamente, passando pelas mandalas da mente iluminada, da sabedoria e do grande êxtase. Este é o nível mais elevado do palácio, onde estão a divindade Kalachakra e sua consorte feminina, Vishvamata, no centro de um lótus com oito pétalas. Juntos, Kalachakra e Vishvamata simbolizam a iluminação completa, insuperável e perfeita, a união indissociável da sabedoria e da compaixão.

Na última parte da cerimônia, o mestre agradece às 722 divindades com preces e pede para que retornem a suas terras puras. Com um centro vajra, ele corta a mandala, e a areia é amontoada no centro da plataforma. Na cerimônia final, a areia é colocada em um vaso e transportada até um rio próximo, onde é despejada para espalhar as bênçãos a todos os seres.

Apesar de estarem em um mundo imperfeito, os alunos passam a cultivar as qualidades perfeitas dos três segredos ¿ ou seja, as qualidades do corpo iluminado, da fala iluminada e da mente iluminada. Ao purificar os três segredos, pode-se encontrar a verdadeira paz interior, a verdadeira sabedoria, o verdadeiro êxtase. E, ao encontrar a paz interior, pode-se encontrar também a paz exterior.

A mandala desaparece da visão, mas permanece para sempre na memória daqueles que entraram em seu reino iluminado.



Por às [7:48 PM]


| Comments: